A porta emperrou no início. Claire empurrou-a para abrir com o ombro e tropeçou na chuva. O carro havia parado perto da borda de um barranco íngreme, cheio de mato molhado e pedras soltas. Além dela, o terreno descia abruptamente em direção a um curso d’água escuro e inchado.
Ela se curvou, respirando com dificuldade, e viu um rastro fino de fluido brilhando perto da roda dianteira. Ela não sabia o suficiente sobre motores para nomeá-lo, mas sabia o suficiente para entender a semana que estava passando: Colin sob o capô, Colin cancelando o compromisso com a oficina e Colin insistindo para que ela pegasse essa estrada. Era um padrão que ela não podia ignorar.
Claire olhou para trás, para o carro, depois para a ravina. Se ela pedisse ajuda e voltasse para casa, Colin saberia que ela havia sobrevivido. Se ela fosse à polícia agora, ele choraria, negaria e explicaria, até que tudo voltasse a ser razoável. Sua bolsa de mão estava revirada no banco do passageiro. O celular quebrado havia deslizado para a área dos pés. Um lenço estava pendurado no freio de mão. Claire ficou parada na chuva, pensando mais rápido do que nunca em sua vida. Então, ela abriu a porta traseira e começou a colocar as coisas de volta no lugar.