Aos 83 anos, ela encontrou uma corda no sótão. Ela não estava preparada para o que estava amarrado a ela..

O sótão era menor do que ela se lembrava, ou talvez ela simplesmente estivesse maior nele agora – mais cautelosa, mais consciente das vigas baixas e da maneira como as velhas tábuas do assoalho balançavam suavemente sob seus pés. Havia caixas empilhadas ao longo de uma parede, cada uma etiquetada com a caligrafia de Harold. Ela deixou a luz da lanterna passar sobre elas da mesma forma que se deixa os olhos passarem sobre uma cicatriz: rapidamente, sem se demorar.

Foi no canto mais afastado, meio escondido atrás de uma caixa de papelão desmoronada, que ela viu. Uma corda. Velha, grossa, da cor de palha seca. Estava enrolada ordenadamente, como um marinheiro poderia deixá-la, enrolada em torno de si mesma com cuidado. Edna franziu a testa. Ela não se lembrava de uma corda. Harold não tinha sido marinheiro, nem campista, nem qualquer coisa remotamente ao ar livre. Ele era um contador que gostava de palavras cruzadas e chá forte.

Ela atravessou o sótão lentamente, abaixou-se com a graça deliberada de uma mulher que há muito havia feito as pazes com seus joelhos e pegou o objeto. Era mais pesado do que ela esperava. E amarrado em uma das pontas, com um cuidadoso nó duplo, havia um pequeno envelope marrom.