Havia cinco objetos no total. Um pequeno vaso de cerâmica, intacto, de um tipo que a arqueóloga identificou como sendo de louça etrusca – a distinta cerâmica preta fosca feita por uma técnica de queima que não tinha equivalente na produção do norte da Europa em nenhum período. Ao lado, um espelho fino de bronze, corroído, mas inteiro, com uma cena figurativa no verso que mais tarde seria identificada como duas mulheres em um tear. Duas pequenas contas, azul-turquesa, de um tipo associado a produtos comerciais egípcios. E um fragmento de osso trabalhado – um alfinete ou agulha sem inscrição, mas com uma incisão decorativa cuidadosa em uma extremidade. Não foram encontrados restos humanos ou estruturais.
“Um depósito”, explicou a especialista a Gerald naquela noite, lavando as mãos na pia da cozinha dele com a naturalidade de alguém que já havia sido convidado a entrar na casa de muitos estranhos para fazer cerimônia. “Provavelmente comemorativo. Os etruscos, e outros povos em contato com eles, às vezes criavam depósitos de objetos significativos em lugares significativos – limites, fronteiras e sepulturas. Não podemos descartar uma conexão funerária. Às vezes, os objetos eram o memorial”
Gerald pensou em Thania. “Alguém trouxe tudo isso para cá”, disse ele. “Para este pedaço de terra específico.”
“Parece que sim.”
“Por que aqui?”
Ela secou as mãos e olhou para ele com a honestidade comedida que ele passou a respeitar nas pessoas que lideraram essa investigação. “Nós não sabemos. Talvez nunca saibamos. Mas sim, alguém escolheu este lugar. Deliberadamente.”