Na manhã seguinte, quando a estrutura foi considerada segura o suficiente, Nora entrou na aeronave com Erik. O ar lá dentro era metálico e viciado, cheio de poeira de gelo e o cheiro antigo de carga. Caixas de madeira com peças de máquinas, válvulas e suprimentos agrícolas estavam alinhadas em fileiras, ainda presas por correias congeladas. O que perturbava Nora não era o dano. Foi a ordem. Alguém havia procurado, classificado e tomado decisões aqui após o pouso.
Perto da cabine de comando, uma garrafa térmica estava de lado, ao lado do corrimão de um assento. No espaço da cozinha, atrás dela, uma embalagem de ração vazia estava escondida embaixo de um painel solto. No chão, havia um mapa de rotas com uma marca de lápis longe do caminho oficial, apontando para uma velha cabana meteorológica em uma grade de pesquisa a oito quilômetros de distância. Isso, pelo menos, fazia sentido. Se a tripulação tivesse escapado, precisaria de abrigo.
Então Nora notou outra coisa. Perto da parte traseira do porão, um painel metálico do piso parecia diferente dos outros. Os parafusos eram velhos, mas menos corroídos, como se tivessem sido removidos e recolocados pouco antes de o avião desaparecer no gelo. Erik se agachou ao lado dele e passou um dedo com luva ao longo da borda. “Isso foi aberto”, disse ele em voz baixa. Ele não forçou ainda. Primeiro, ele queria que a cabana meteorológica fosse verificada. Nora olhou mais uma vez para o mapa marcado. Alguém naquele avião sabia que a cabana existia. Alguém havia planejado chegar até ela.