Naquela noite, Murat tentou esquecer o ocorrido. Ele disse a si mesmo que não era nada. Um eco. Um truque de som. Algo que sua mente preencheu porque o silêncio era muito profundo. Ele se deitou na cama, olhando para o teto. Esperando para dormir. Minutos se passaram. Então, um som. Os olhos de Murat se abriram. Lá estava ele novamente. Fraco. Abafado. Vozes.
Ele se sentou lentamente. Estava ouvindo. Eles não estavam vindo de fora. Não da rua. Nem de um lugar distante. Eles estavam próximos. Perto demais. Murat tirou as pernas da cama e se levantou. Por um momento, ele hesitou. Depois desceu as escadas. A casa estava silenciosa. Quieta. Mas quando ele se aproximou da porta da garagem, o som ficou mais claro.
Murat parou um pouco antes de entrar. Sua mão repousou sobre a moldura. Ele prendeu a respiração. Depois entrou. As vozes voltaram instantaneamente. Baixas. Em camadas. Desiguais. Murat ficou ali parado, congelado.
Porque agora… ele tinha certeza. Ele não tinha imaginado isso.