A ponte da Elm Street se ergueu da chuva como algo frio e esquecido. Abaixo dela, havia carrinhos de compras, lonas, caixas de leite e os pequenos arranjos cuidadosos que diziam a Sean que as pessoas estavam dormindo ali há muito tempo. Leo diminuiu a velocidade pela primeira vez durante toda a tarde. Parou perto de dois homens que discutiam por causa de um rádio, depois se afastou e tentou outro grupo mais abaixo. Dessa vez, ele segurou a fotografia com as duas mãos, como se estivesse pedindo às pessoas que o levassem a sério. A maioria mal deu uma olhada. Um deles acenou para ele. Outro murmurou que as crianças deveriam ir para casa antes de escurecer.
Então, uma mulher mais velha, de boné de malha, olhou da foto para o rosto de Leo e se acalmou. Ela disse que achava que conhecia o homem. Sean estava perto o suficiente para entender suas palavras, mais pelo movimento de seus lábios. “Barcos fluviais agora”, disse ela, sacudindo o queixo em direção à marina. “Pátio de reparos depois da cerca.” Leo lhe agradeceu tão rápido que as palavras se misturaram, depois girou e correu. Sean viu o caminhão em marcha à ré meio segundo antes de Leo. Ele avançou, agarrou a parte de trás da mochila do garoto e o puxou para fora da estrada no momento em que o caminhão passou. Leo se virou, com os cabelos molhados grudados na testa e os olhos arregalados. “Tenho que encontrá-lo”, gritou, com a voz embargada. Então ele se soltou e passou por uma abertura na cerca de arame.