Uma forma que não deveria estar lá
Ela estava no ponto mais profundo da curva oeste do canal, ainda meio enterrada no lodo preto que séculos de vida na cidade haviam depositado ali. À primeira vista, parecia um cano – um invólucro industrial, talvez, algo deixado para trás por equipes de construção que nunca voltaram para buscá-lo. Mas canos não têm formas arredondadas. Mas canos não têm vigias arredondadas. Os canos não tinham aletas de leme.
Declan se agachou na beira da água e olhou para baixo. O leito do canal agora estava exposto o suficiente para que se pudesse caminhar com cuidado, e ele podia ver o contorno completo do objeto emergindo da lama como um fóssil vindo à luz. Ele tinha aproximadamente quinze metros de comprimento, era de aço rebitado, verde-acinzentado escuro sob o lodo, cheio de ferrugem, mas estruturalmente intacto. Não havia dúvidas sobre o que era.
“É um submarino”, disse Priya, como se dizer isso em voz alta pudesse torná-lo menos verdadeiro.
Declan não respondeu imediatamente. Ele já estava pensando em quem chamar e, mais importante ainda, o que um submarino estava fazendo no fundo de um canal que, em seu ponto mais largo, tinha apenas vinte e dois metros de largura.