Não escrevi nada. Virei-me e voltei para a viatura com o peso de cada pergunta perdida pressionando meus ombros. Só restava um lugar que fazia sentido. Lincoln. Ele havia mencionado isso de improviso na primeira vez em que conversamos – pouco mais do que uma palavra deixada cair na noite. Trabalho. Lincoln. Na época, registrei o fato e segui em frente.
Agora, o assunto se repetia em minha cabeça com uma insistência que eu não conseguia esquecer. Lincoln era o tipo de lugar que nunca fechava completamente. Armazéns. Docas de carregamento. Turnos de cemitério que se confundiam de um dia para o outro. Se alguém estivesse se deslocando a pé em horários estranhos, se precisasse de um trabalho que não fizesse muitas perguntas, aquele trecho da estrada fazia sentido. Eu disse a mim mesmo que estava apenas acompanhando.