Percebi isso no momento em que dei um passo em direção a ele. O olhar vazio. As respostas demoradas. A forma como seu corpo permaneceu solto, pronto. Peguei as algemas, já dizendo a mim mesmo que não tinha mais dúvidas. Não deixaria mais que o instinto fosse subjugado por desculpas. Então ele correu.
Não frenético. Não era selvagem. Limpo e rápido, como se tivesse medido a distância e decidido que valia a pena correr o risco. Meu peito se apertou enquanto eu corria atrás dele, as botas batendo no concreto, o rádio batendo inutilmente ao meu lado. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior. Esse não era o meu terreno. Não era o meu dia.
Mesmo assim, me esforcei mais, com o pânico se instalando à medida que meus pulmões queimavam. Se eu o perdesse agora, sabia exatamente como seria. Outro relatório. Outro rosto do qual eu me lembraria tarde demais. Outro suspeito que desapareceu porque hesitei uma vez e paguei por isso duas vezes. Eu não estava mais perseguindo um homem – estava perseguindo o momento em que isso deixaria de ser meu fracasso.