Suas noites no sofá, com um ouvido aberto, à escuta de um telefonema, uma queda, um gemido. Seus fins de semana cancelados, amizades enfraquecidas, a vida reduzida a horários e pílulas e “vamos ver” E para quê? Para que outra mulher pudesse entrar em sua casa como se fosse sua. Para que outra mulher pudesse se ajoelhar no roteador e desligar as câmeras com um puxão casual.
Para que Marcus pudesse ficar de pé de repente – para impedi-la de ser vista. Julia olhava para a tela do computador sem ler uma palavra. Sua caixa de entrada estava cheia. Um colega perguntou algo de passagem. Julia acenou com a cabeça nos momentos certos, os lábios se movendo no piloto automático. Por dentro, ela estava fazendo aritmética. Se ele conseguir ficar de pé, mesmo que por um segundo… Se ele conseguir se levantar com as pernas..