«Olá», disse Arthur, com a voz embargada pela emoção. «Estou a ligar porque tenho uma arara vermelha muito simpática sentada na minha varanda, em Atenas.» Ouviu-se um suspiro repentino ao outro lado da linha, seguido do som de uma mulher a chorar e, depois, da voz entusiasmada de um rapazinho a gritar ao fundo. «O Mango está bem?», perguntou a mulher freneticamente, entre lágrimas.
A mulher explicou que a sua família se tinha mudado da costa há quatro meses, depois de uma forte tempestade ter destruído a sua casa. Durante a mudança caótica, um ramo de árvore que caiu tinha partido o recinto exterior do Mango, assustando o pássaro, que fugiu para as montanhas antes que conseguissem levá-lo. O seu filho de oito anos, Mateo, passara todos os dias desde então a chorar pelo seu companheiro perdido, recusando-se a perder a esperança de que o pássaro ainda estivesse vivo.
«Ele encontrou o caminho até mim», disse Arthur em voz baixa, observando o pássaro a bicar carinhosamente a manga da sua camisa. «Ou talvez estivesse apenas à espera que alguém lesse a sua etiqueta.» Duas horas depois, uma carrinha azul empoeirada parou na entrada da casa de Arthur e um rapazinho saiu a correr pela porta do passageiro, dirigindo-se às escadas com lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto, gritando o nome do pássaro.