Ninguém falou. Apenas observavam. A leoa ajustou sua postura com uma precisão lenta, tomando cuidado para não perturbar o que estava embaixo dela. Cada movimento parecia medido, deliberado – como se ela entendesse exatamente o quão frágil ele era. Milo tremeu. Mas não o soltou. Os outros leões se aproximaram mais uma vez, a curiosidade os puxando para frente, com rosnados baixos ressoando sob sua respiração.
A leoa reagiu instantaneamente. Virou a cabeça bruscamente. Um aviso. Final. Eles pararam. Mantiveram a distância. Ela se afastou deles, escolhendo seu caminho sem hesitação, e começou a caminhar em direção ao canto mais distante do recinto. Lá era mais silencioso. À sombra. Seguro. Arjun seguiu seu movimento da barreira, mal conseguindo respirar.
Ela se abaixou lentamente no chão, dobrando seu corpo com um cuidado surpreendente. Por um momento, nada aconteceu. Então ela abaixou a cabeça. E começou a lambê-lo. Devagar. Com delicadeza. Tranquilizador. Como se ele pertencesse àquele lugar.
E naquele canto silencioso, algo impossível se estabeleceu no lugar.