O homem se levantou quando Sean se aproximou, mas não soltou o ombro de Leo. A vergonha apareceu em seu rosto antes de qualquer explicação. Ele admitiu que seu nome era Aaron Harper. Admitiu que havia desaparecido anos antes, quando comprimidos e dívidas tomaram conta de sua vida. Disse que estava sóbrio há quatorze meses, alugando um pequeno quarto em cima de uma loja de iscas e trabalhando seis dias por semana na marina. Ele havia tentado enviar cartas uma vez e um pouco de dinheiro quando podia, mas havia perdido o controle depois que sua esposa e a mãe do menino, Maya, se mudaram. Sean ainda não sabia o quanto daquilo era reparável e o quanto nunca seria. Mas os fatos imediatos eram simples: uma criança havia atravessado metade da cidade sozinha, uma família estava em crise e um pai tinha acabado de receber uma chance de mostrar se ele estava falando sério.
Sean ligou para a central e pediu que localizassem a mãe de Leo. Maya Harper havia conseguido que um vizinho fosse buscar Aaron na escola. O garotinho deu um fora na vizinha e saiu em busca do pai. Finalmente, quando Maya entrou na linha, houve um longo silêncio depois que ele lhe disse com quem estava. Então ela disse, cansada e cuidadosa: “Obrigada por manter meu filho em segurança, policial. Poderia trazê-lo até mim? Se Aaron quiser vir, ele pode vir também, mas com você” No hospital, Maya parecia uma mulher com medo e sem dormir. Ela abraçou Leo primeiro, com força suficiente para fazê-lo guinchar, depois olhou para Aaron com anos de raiva entre eles. Aaron não pediu absolvição. Ele apenas disse que sentia muito, que se encontraria com qualquer assistente social, conselheiro ou juiz e que não desapareceria novamente. Maya assentiu uma vez, com firmeza. Nem tudo estava resolvido, mas talvez ela tenha visto um lampejo de remorso genuíno.