Arthur deu um passo para trás tão rápido que sua cadeira raspou no chão. Seu primeiro pensamento foi que ele havia trazido para casa algo perigoso. Algo escondido. Algo que nunca deveria ter ido parar nas mãos de um aposentado solitário com joelhos fracos e o hábito de pensar demais.
O tique-taque era suave, mas constante. Tique-taque. Tique-taque. Tique-taque. Ele não acelerava e não parava. Arthur olhou fixamente para o pacote de veludo, como se o fato de olhar fixamente pudesse explicar o que estava acontecendo. O tecido se ergueu ligeiramente de um lado, como se algo metálico estivesse girando.
Seu telefone estava sobre o balcão da cozinha. Ele pensou em chamar a polícia. Depois, pensou em como pareceria tolo. “Olá, comprei uma mala e agora ela está fazendo tique-taque.” Mas e se ele esperasse demais? E se o próximo som não fosse um tique-taque, mas uma explosão?