A maioria dos outros compradores ignorou a mala velha. Eles estavam ocupados dando lances em malas mais novas que poderiam conter laptops, tablets ou roupas caras. Arthur olhou para o lote 42 e viu algo diferente. Ele viu uma vida cheia de movimento. Uma vida em estações de trem, quartos de hotel e ruas estreitas de cidades distantes.
O leiloeiro começou a falar baixo. Arthur levantou a raquete antes que pudesse se conter. Um homem de paletó preto deu um lance indeciso, mas Arthur levantou a raquete novamente. Sua mão estava tremendo, embora o preço ainda fosse pequeno. Então o martelo caiu. “Vendido”, disse o leiloeiro.
Arthur piscou os olhos. Sem mais nem menos, a mala era dele. Ela era mais pesada do que ele esperava quando a carregou até o carro. Quando ele a colocou no banco do passageiro, algo dentro dela se deslocou com um baque profundo e sem graça. Arthur olhou para ela por um momento antes de ligar o motor.