A cozinha esculpida em torno da pedra
A cozinha de Marta não é grande, mas é o cômodo que faz as pessoas sorrirem primeiro. Ela tem a praticidade alegre da cozinha de uma avó e a beleza estranha de algo construído em torno de um segredo. Os balcões seguem a curva natural da parede da caverna, o que significa que nada é perfeitamente reto. Uma prateleira se inclina levemente contra a pedra. Um canto foi deixado intocado porque Marta gosta do formato da rocha. “Essa”, diz ela aos visitantes, batendo nela com orgulho, “é a minha decoração”
Há panelas de cobre penduradas em ganchos pretos, potes de ervas secas alinhados em uma prateleira de madeira e uma pequena mesa redonda onde Marta toma o café da manhã todas as manhãs. Ela insistiu em um forno adequado porque, com caverna ou sem caverna, ela sabia que não estava desistindo de cozinhar. Aos domingos, o cheiro de pão sai pela porta da frente e vai até a rua, confundindo quem espera que uma caverna tenha cheiro de musgo e mistério.
Os construtores queriam esconder a maior parte da pedra atrás de painéis. Marta disse não novamente. Assim, a cozinha se tornou uma mistura de antigo e novo: armários lisos, iluminação suave, pedra bruta e uma pequena janela acima da pia, onde alguns vasos de manjericão se esforçavam ao máximo para crescer. Ela não é elegante. Não é perfeito como um showroom. É melhor do que isso. Parece ter sido habitada.