Estávamos no ano de 1884, quando os invernos na fronteira americana podiam tornar-se perigosos sem grande aviso prévio. A mulher vivia numa pequena cabana com a sua filha pequena. A sua casa era simples, construída para proteger da chuva e da maior parte do vento, mas não de todas as rajadas que sopravam sobre o campo aberto. Cada outono trazia consigo o mesmo trabalho. Era preciso armazenar comida. A lenha tinha de ser empilhada. As frestas à volta das portas e janelas tinham de ser verificadas antes da primeira geada forte.
Naquele ano, ela reparou numa coisa que a maioria das pessoas ignorava. Os girassóis tinham crescido bastante durante o verão e, depois, secaram após as cabeças terem sido cortadas e as sementes recolhidas. Os caules pareciam inúteis. Os vizinhos queimavam-nos ou deitavam-nos fora. Ela apanhou um e partiu-o ao meio. No interior, havia um centro pálido e claro. «É quase todo ar», disse ela. A filha ficou perplexa. «E então?» A mulher sorriu. «O ar pode ser útil se o mantivermos quieto.»
Começou a recolher os talos em vez de os queimar. No início, empilhou-os ao lado do barracão. Depois, amarrou-os em feixes grossos. A filha ajudou-a a transportar os pedaços mais leves. No final da semana, a pilha tinha-se tornado impossível de ignorar. O mesmo se passava com as perguntas dos vizinhos.